Rotas do Rafael em Snake Village – Hanoi (Vietnã)

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1) Me fale sobre um lugar que você já esteve.

 
Quando fui a Hanói, cidade ao norte do Vietnã, eu recebi um convite um tanto quanto exótico de um novaiorquino ruivo autodenominado “Red Rock” que, até aquele hora, já viajava comigo por uma semana. Ele me abordou no refeitório do hostel que estávamos hospedados, enquanto eu, ainda cheio de ramelas, me preparava pra tomar um maravilhoso café da manhã de pão com ovo, salada de fruta  e café preto (hmm) que era oferecido gratuitamente para todos os hóspedes.

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Hanoi Backpackers Hostel – Downtown

9 Ma May, Hoan Kiem, Hanoi, Hanoi, Vietnam
http://www.hostelworld.com/hosteldetails.php/Hanoi-Backpackers-Hostel-Downtown/Hanoi/46381

(Red Rock) “Hey cara, bom dia! Largue essa ideia, sim? Vamos para a Vila das Cobras!”
(Rafa) “Vila de quê? Não importa! Posso comer primeiro? Depois nós vamos!”
(Red Rock) “Nããão, vamos agora! Vamos!”
(Rafa) “Mas eu estou com fome puto! Posso pelo menos levar algo pra ir comendo?”
(Red Rock) “NÃO! ANDA! O táxi está aqui!”

Eu já cruzei o mundo pra chegar aqui, então porque não? Assim eu entrei no táxi, empurrado por esse americano de cabeça vermelha, morrendo de fome, de sono, e em direção a um lugar do Vietnã chamado Snake Village em Le Mat. Porque não? Pois eu descobriria a resposta dessa pergunta em um futuro próximo.

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“Snake Village em Le Mat – Hanói – Vietnã”

2) Qual foi a coisa mais legal que você fez / viu nesse lugar?

O nome, que já é bem sugestivo, faz jus ao seu propósito, e o lugar possui vários restaurantes que oferecem seus serviços reptilianos.

“Hey hey hey, what? Serviços Reptilianos? Que p**** é esse lugar?”

 

40 minutos e muitas dezenas de milhares de Dongs depois…

Calma! Não se assustem. O taxista não nos cobrou uma pequena fortuna pelo passeio. O Dong, que é a moeda aqui do Vietnã, equivale a 0,000125383988 reais, ou seja, 1 real, são aproximadamente 7.975,00 Dongs. A corrida deve ter ficado em mais ou menos 150.000 dinheiros, ou 20 reais. Uma boa dica boa do Vietnã é: escolha bem o seu taxista. A mesma corrida pode custar entre 100.000 dongs e 700.000, dependendo do quão trouxa gringo você parecer na percepção do motorista. Então, independente do valor falado ANTES da corrida, dê um beiço e assopre, como se aquilo soasse como o maior absurdo da Terra. Se ele não falar nada e continuar olhando pra você com cara de pato, provavelmente esse é o preço mesmo e você não tem muito o que fazer. Do contrário, ele vai começar a baixar o preço. Mantenha o beiço e o sopro até chegar a cara de pato, e depois suba no táxi.

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“Um rapaz colocou a mão lá dentro e remexeu em uma sacola suja,…”

Bom, finalmente chegamos. Entramos em uma espécie de vila flutuante, com grandes “ocas” de palha sustentadas por enormes toras de madeira. Logo que atravessamos o portão, uma recepcionista simpática e falante me puxou pela mão e me levou até um quintal recheado de gaiolas. Me senti especial quando todos se aglomeraram pra ver os turistas, os “gringos”, se assustando com o que viria a seguir. Um rapaz colocou a mão lá dentro e remexeu em uma sacola suja, pra em seguida, puxar uma cobra lá de dentro.
Demos um passo pra trás.

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“…pra em seguida, puxar uma cobra lá de dentro.”

A cobra estava transbordando de adrenalina, e ele a segurava pelo rabo, deixando-a se movimentar quase por completo. Ele me olhou. A cobra também. Eu sorri balançando a cabeça negativamente e dando mais um passo pra trás. Mas o desgraçado do rapaz começou a se aproximar, sorridente. E a cobra parecia se divertir também, indo de um lado ao outro, dando língua ao meu princípio de terror. Pra contornar  situação de pânico, eu  me impus, e falei grosso, firme, como quem cobra respeito. “Cobra” respeito. Pfff…

 

“Hey!!! Não me venha com…”

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“…a cobra já se divertia, se entrelaçando em meu braço, subindo em direção ao meu pescoço, esfregando aquela barriga gelada em minha nuca desprotegida.”

Mas antes que eu pudesse terminar meu discurso anti-reptiliano, a cobra já se divertia, se entrelaçando em meu braço, subindo em direção ao meu pescoço, esfregando aquela barriga gelada em minha nuca desprotegida. Eu não sabia o que fazer. Nunca havia lido o livro “Como agir no caso de uma cobra subir em você”, e não sabia se me mexia, se ficava imóvel, se gritava ou se me desesperava calado.

Então, isso pode parecer estranho, mas você se acostuma com aquele bicho longilíneo gelado se arrastando por você (é, eu disse que soaria estranho). Você começa a prever os movimentos daquela minhoca gigante e ela não consegue mais chegar perto de zonas potencialmente perigosas, se é que vocês me entendem. Depois de brincar por alguns minutos com a desafortunada (em breve vocês entenderão), e até começar a gostar dela, o rapaz abusado se aproximou novamente e me perguntou:

(Damn Guy) “Essa cobra está boa?”

(Rafa) “Como?”

(Damn Guy) “A cobra. Ela está boa?”

(Rafa) “Uhhn…sim. Acho que sim! Tá toda feliz aqui mostrando a língua, saudável. Está boa sim, por que?”

Snake Village - Hanói - Vietnã

““Uhhn…sim. Acho que sim! Tá toda feliz aqui mostrando a língua, saudável.”

E então ele pegou a cobra, enrolou-a no braço como quem enrola uma mangueira depois de regar o jardim, e me pediu que o seguisse.

Chegamos a um lugar coberto, com uma mesa baixa e algumas almofadas jogadas, onde confortavelmente me sentei. Ele também sentou, ainda segurando a cobra, sem falar nada. Depois de alguns minutos, uma senhora entrou a passos de tartaruga, segurando uma bandeja de metal,  com 2 copos e uma faca em cima.

“(WTF! Que ritual bizarro é esse?)”

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“Ele também sentou, ainda segurando a cobra, sem falar nada.”

Pensei.

Ninguém teve a bondade, ou a coragem, de me explicar o que estava havendo. O rapaz simplesmente esticou o pobre animal que segurava, mediu aproximadamente 4 dedos da cabeça pra baixo, e sem pestanejar, pegou a faca e… ABRIU a cobra!!! ABRIU!!! Quando a faca encostou em sua barriga de pele fina e gelada, ela se contraiu, e deu pra sentir que, se ela pudesse, estaria aos urros. O sangue escorreu pela circunferência de seu corpo. Aquela cobra fofinha, com quem eu acabara de fazer amizade, foi simplesmente dilacerada, fazendo com que seu coração espantosamente saltasse pra fora.

Ainda viva, ela mostrava a língua e se retorcia, enquanto seu coração pulsava acelerado, do lado de fora de seu corpo.

O rapaz se manteve calmo, esticou ainda mais a cobra que tentava se contorcer, me olhou, estendeu os braços em minha direção e disse:

 

(Guy) “VAI! MORDE!!”

(Rafa) “COMO É QUE É?!”

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“VAI!! MORDE!”

É isso mesmo. Ele queria que eu mordesse o coração da cobra, ainda viva. Eu disse que não o faria. Tá maluco? Ela estava viva, o coração batia, a língua ia e voltava em desespero. Mas ele insistiu, e nessa hora, já havia um aglomerado de pessoas em nossa volta, assistindo aquela crueldade com a pobre cobra, que ainda tentava se retorcer em agonia, sem sucesso.

(Rapaz Malvado) “Vai! MORDE! Ela vai morrer! Ela não pode morrer assim!!!”

(Rafa) ANH?!?!

É claro que ela vai morrer!!! O cara mete a faca, abre a cobra, sem dó nem piedade, bota o coração dela pra fora do corpo e ainda briga comigo porque ela vai morrer? Como assim?

Foi quando começaram os gritos de torcida em minha volta, contra a cobra, óbvio.

(Torcida) “MORDE!!! GO MAN!!! BITEE IT!! GO GO GOO!”

E assim, como um canibal virgem, completamente pressionado pelo momento, você dá uma dentada rápida e precisa, rente a pele, na sua refeição ainda viva, sentindo o coração pulsante da cobra, acelerado de pânico, sendo arrancado da pobrezinha. Você tensiona veias e artérias, até que arrebentam, e sangue é jorrado para todos os lados. Você levanta o tronco, com a boca entreaberta, tentando inutilmente fazer com que aquele pedaço de animal vivo encoste o mínimo possível em sua boca. O coração então, “solto”, samba pela sua língua…

…AINDA BATENDO!

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“VAI! MORDE!!”

Isso mesmo! O coração não para de bater, e você sente ele se debatendo dentro de sua boca. E você engole aquele trem palpitante, sentindo-o até sua garganta, quando ele some, estomago a dentro.

(Rafa) “ARGH!”

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“Aquele gosto de sangue toma conta da sua boca como se você tivesse mordido sua bochecha 100 vezes consecutivas…”

Aquele gosto de sangue toma conta da sua boca como se você tivesse mordido sua bochecha 100 vezes consecutivas. E é nesse desespero com gosto de ferro, que você pede algo pra beber.

E eles te dão.

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“E é nesse desespero com gosto de ferro, que você pede algo pra beber. E eles te dão.”

“AHHHHHHHHHHHHHHHhhhhhhhh!!! Phffwwwwwwwwuuuuuu…. MAS QUE P**** É ESSA?”

Como se já não bastasse, a cobra recém abatida é espremida no copo de vodka, na preparação do famoso

“Blood Drink”! E com um pouco mais de criatividade, o fígado da cobra é aberto e de lá, escorre a bile, fazendo o segundo drink do almoço, o “Bile Drink” que…

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“…o fígado da cobra é aberto e de lá, escorre a bile, fazendo o segundo drink do almoço, o “Bile Drink”

…que me deram pra tirar o gosto de sangue da boca!

MUITO ENGRAÇADO! ¬¬

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“MUITO ENGRAÇADO!!”

Depois desse ritual todo, a cobra recém abatida (por você) é levada para cozinha, onde o chef prepara 7 deliciosos pratos, servidos na sequência.

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“Cobra frita, cobra assada, pele de cobra, sopa de cobra, cabeça de cobra, etc.”

A cada prato servido, tomamos mais um “shot” de sangue ou de bile, como acompanhamento digestivo.

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Cobra frita, cobra assada, pele de cobra, sopa de cobra, cabeça de cobra, etc. É o mais exótico e, diga-se de passagem, caro, almoço do Vietnã. Na conversão, 25 US$ por pessoa, fora as mil cocas-colas, que se tornam ao longo do almoço, completamente essenciais.

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“Na conversão, 25 US$ por pessoa…”

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“É o mais exótico e, diga-se de passagem, caro, almoço do Vietnã.”

Essa foi a experiência mais legal que tive em Hanoi, COM CERTEZA.

“We stood around them and watched as they slit the live snake and then furrowed around for the heart and

swallowed it whole while it was still pulsating…Once the heart had been removed the blood was squeezed into

a nearby glass and mixed with the local snake moonshine. In another glass a bile cocktail was prepared by

squeezing all the green gunk from it’s stomach.”

Anna

3) Qual foi o maior perrengue que você passou?

Qual foi o maior perrengue que eu passei? Você tá de brincadeira né? Eu acabei de contar que eu comi o coração batendo de uma cobra viva. Não ouviu não?! Hahaha

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“Essa foi a experiência mais legal que tive em Hanói, COM CERTEZA.”

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