Eu sou um Rafael.

devaneios

Eu sou só um Rafael!

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Um gordo tímido, um estudante dedicado, um vestibulando estressado, um estagiário esforçado e um profissional competente. Eu tive um longo caminho até conseguir alcançar o que de fato eu queria. Ou achava que queria. Incentivado, motivado, pressionado pelo pai, engenheiro, a seguir a mesma profissão, me aventurei em uma carreira tecnológica logo cedo. Por que? Porque segundo ele, era bem remunerada, E pra um estudante que nunca tinha visto uma nota de 100, aquilo era como ganhar na loteria. Estagiei 1 ano e trabalhei 4 anos no ramo de telecom. Nesse tempo, passei por 3 grandes empresas, além de ter trabalhado alguns meses no Ministério de Ciência e Tecnologia.

"Passados os 30 dias e de volta a cadeira azul, veio o choque de realidade. Como eu posso continuar aqui depois disso tudo que eu vivi?"

“Passados os 30 dias e de volta a cadeira azul, veio o choque de realidade. Como eu posso continuar aqui depois disso tudo que eu vivi?”

Eu realmente ganhava algum dinheiro, mas eu odiava aquilo. 8 horas por dia, 5 dias na semana, 4 semanas por mês, 11 meses por ano sentado com a bunda naquela cadeira azul de rodinhas e comendo feijoada nas sextas-feiras. Argh! Nesse meio tempo, tive o meu primeiro surto. Larguei o semestre da faculdade pela metade, pedi férias no trabalho, comprei uma mochila N litros, uma bota bonitinha, e fui. Fiz minha primeira viagem internacional. Bolívia e Peru. Queria visitar Macchu Pichu. Passados os 30 dias e de volta a cadeira azul, veio o choque de realidade. Como eu posso continuar aqui depois disso tudo que eu vivi? O ódio se misturava com o medo e aquilo se estendia eternamente. Passado 1 mês o ódio deu lugar ao inconformismo. Mais dois, e o inconformismo  se tornou confortável. Quando vi, já estava adestrado novamente. Subi de cargo, mudei de cidade, casei, juntei dinheiro e caso eu não tivesse, novamente,  surtado, talvez estaria nessa vida até hoje. Não creio que foi um evento específico que tenha me tirado desse rumo, mas a combinação de muita merda que eu tive que  aguentar nesses 4 anos foi o que fez com que, qualquer sopro a mais, derrubasse meu castelo de cartas. Chutei o pau da barraca de novo. Pedi demissão, vendi tudo o que eu tinha, fogão geladeira, cama, armário, mesa, máquina de lavar, peguei todo o dinheiro e fui em busca de novos horizontes. Minha segunda viagem internacional. Uruguai. Mas essa, com passagem só de ida.

"...vendemos tudo o que eu tínhamos, fogão geladeira, cama, armário, mesa, máquina de lavar, pegamos todo o dinheiro e fomos em busca de novos horizontes."

“…vendemos tudo o que eu tínhamos, fogão geladeira, cama, armário, mesa, máquina de lavar, pegamos todo o dinheiro e fomos em busca de novos horizontes.”

Assim começa uma série de viagens sequenciais, primeiro pela América do Sul, com todo dinheiro da vida, e depois, sem nenhum tostão furado, pela Europa, África e Ásia. Foi quando passei por uma série de eventos atípicos na vida de um cientista da computação, como trabalhar de pedreiro, barman, artista plástico, garçom, colhedor  de azeitonas, vendedor de poções mágicas, dançarino, ser ameaçado de morte por um traficante Lituano chifrudo, encontrar grandes amores perdidos, entre muitas outras coisas. São os espólios de quem resolve se aventurar de corpo e alma pela experiência da existência.

“Não somos seres humanos em uma viagem espiritual. Somos seres espirituais em uma viagem humana”.

Me disse um nerd Holandês em um barco na Tailândia enquanto seu parceiro de viagem, também nerd, e também holandês, balançava a cabeça pra cima e pra baixo.”

"Não somos seres humanos em uma viagem espiritual. Somos seres espirituais em uma viagem humana." - China

“Não somos seres humanos em uma viagem espiritual. Somos seres espirituais em uma viagem humana.”

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